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Líquido de arrefecimento do Compass e Renegade 1.3 turbo: o manual da Jeep diz 240 mil km, mecânicos dizem 40 mil km

📅 Publicado em 29 de outubro de 2026

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Líquido de arrefecimento do Compass e Renegade 1.3 turbo: o manual da Jeep diz 240 mil km, mecânicos dizem 40 mil km

Existe uma troca que o manual do Jeep Compass e do Renegade com motor 1.3 turbo T270 manda fazer só aos 240 mil km ou 10 anos, o que vier primeiro, e que mecânicos ouvidos pela nossa equipe de usados recomendam aos 40 mil km: a do líquido de arrefecimento.

O motivo está na caixa automática de seis marchas (AT6) que acompanha esse motor. O óleo dela é resfriado por um pequeno trocador de calor ligado ao circuito do motor, e, se ele furar e o líquido entrar na caixa, um mecânico estima o prejuízo entre R$ 20.000 e R$ 60.000.

O que o manual diz

Nos modelos com o T270, que hoje entrega 176 cv e 27,5 kgf.m, o manual indica trocar o líquido de arrefecimento a cada 240 mil km ou 10 anos. Já o manual do Compass 2018, com o 2.0 flex de 166 cv, pedia a troca a cada 2 anos. Quanto ao óleo da caixa, os manuais do Compass desde 2018 não trazem recomendação de troca, e a Jeep trata o fluido como “for life”, com a mesma vida útil da transmissão.

O que as oficinas fazem?

Os mecânicos entrevistados por nossa equipe apontam o trocador de calor do Compass e Renegade como o elo frágil. Um deles troca a peça de forma preventiva a cada 40 mil km, por uma original ou por um radiador de óleo resfriado a ar, o mesmo conceito da Fiat Toro diesel. Segundo outro profissional, essa adaptação reduz a temperatura do óleo da caixa em 10 a 15 graus.

Há donos que procuram o serviço com carro de até 80 mil km, e alguns até com o carro zero. Um terceiro mecânico recomenda encurtar a troca do líquido para 40 mil km, ou ao menos monitorá-lo nesse intervalo.

A causa, segundo eles, não é só o tamanho da peça. Líquido envelhecido, sem a proporção correta de aditivo e sem água desmineralizada, muda de pH e corrói o alumínio por dentro. A caixa AT9 dos modelos a diesel não tem o problema, porque usa um radiador grande na frente do carro.

Quanto custa errar?

Existem dois cenários. Se o óleo da caixa passa para o circuito do motor, o dano é menor. Se o líquido de arrefecimento entra na caixa, os discos internos, feitos de celulose, são comprometidos e pode ser preciso abrir a transmissão. Em estágio inicial, com pouca contaminação, o problema pode ser reversível. Em quantidade maior, os danos são praticamente irreversíveis.

O que a Stellantis diz

Em janeiro de 2022, o Procon-SP pediu à Stellantis que deixasse mais claro nos manuais o aviso sobre o uso de líquido de arrefecimento fora da especificação, e defendeu um recall. A empresa respondeu que não havia evidência de defeito e que assume a responsabilidade dentro da garantia quando a manutenção programada é feita.

Segundo os números citados na época, 302 dos 450,8 mil veículos em garantia em 2020 e 207 dos 502,4 mil em 2021 foram atendidos por esse problema. Esses números cobrem só carros em garantia, o que deixa de fora a maioria dos usados à venda hoje. A Stellantis em notas direcionadas à impressa informou que melhorou o sistema nos modelos mais novos.

Veja também

Como comprar um Compass ou Renegade 1.3 turbo usado?

  • Peça o histórico do arrefecimento. Pergunte quando o líquido foi trocado e com qual produto.
  • Pergunte pelo trocador de calor. Saiba se foi substituído ou trocado por um radiador de óleo.
  • Olhe o líquido com o motor frio. Película de óleo ou aspecto leitoso são sinais de alerta.
  • Leve a um mecânico de confiança antes de fechar, principalmente se o carro passou dos 40 mil km sem registro.

Quem já rodou um Compass conta o resto nas opiniões de donos de Compass.


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